Conclusões

 Conclusões

                    Para entender as causas do atraso econômico e do baixo padrão de vida do semi-árido baiano, além de observar as questões naturais, é necessário aceitar a hipótese de que o desenvolvimento ocorre de modo desigual nos diferentes espaços geográficos. Além disto, as macrorregiões não são espaços homogêneos. Tanto as macrorregiões, que concentram maior desenvolvimento econômico (Sudeste e Sul), possuem áreas com menor dinamismo quanto as macrorregiões menos desenvolvidas (Norte e Nordeste) possuem espaços regionais com indicadores econômicos e sociais bastante distintos dos verificados nas áreas mais pobres.
                    O atraso sócio-econômico experimentado pelo semi-árido baiano, que leva a um desenvolvimento de sobremaneira desigual em relação às demais regiões do Estado ou do país, não é um fenômeno conjuntural. Resulta de diferenças estruturais persistentes e cumulativas na competitividade e estão profundamente enraizadas nas restrições infra-estruturais, institucionais e sociais ao desenvolvimento econômico. Estas restrições impedem a formação de forças centrípetas e de forças centrífugas. Esta circunstância torna esta região um caso especial que não pode ser estudada somente à luz da teoria convencional sobre desenvolvimento regional. Enquanto as desigualdades se ampliam com elas ampliam-se os efeitos negativos sobre o bem-estar social. Não se trata, portanto, apenas de falhas de mercado ou falhas de governo, são necessárias políticas regionais efetivas e diferenciadas.
                     Após décadas de experiências com políticas regionais, este trabalho procurou mostrar que a principal causa para o insucesso destas iniciativas está na qualidade das instituições, que impedem a transformação e absorção dos impulsos de crescimento em impulsos de desenvolvimento. Este estudo mostra que o desenvolvimento econômico de uma região está correlacionado à qualidade das instituições locais e que a persistência ao longo do tempo (inércia institucional) de instituições ruins no semi-árido baiano é a principal explicação para o atraso econômico da região. Portanto, qualquer ação para o desenvolvimento econômico do semi-árido baiano tem que, concomitantemente, acompanhar iniciativas capazes de promover mudanças incrementais na matriz institucional da região.
                     A existência de condições para a acumulação de capital humano e para a criação e difusão de inovações está na base dos principais modelos que procuram explicar o desenvolvimento regional, seja para a convergência neoclássica ou para o enfoque da produtividade no modelo bottom up. Contudo, estas condições só podem ser verificadas em regiões com instituições de melhor qualidade. A proposta de implantação de universidades públicas aliadas a investimentos em infra-estutura de transportes e comunicação em regiões do semi-árido baiano, conjuga crescimento no curto prazo, decorrente da injeção de recursos na economia regional, com desenvolvimento no longo prazo. O desenvolvimento origina-se da melhora na qualidade das instituições e na acumulação de capital humano e suas externalidades, criando, assim, um ambiente propício à criação e difusão de inovações e, conseqüentemente, ao desenvolvimento econômico e social.     

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