Publicado por: rpmlopes | novembro 23, 2008

Introdução

Resumo
Este trabalho mostra o papel que a qualidade das instituições desempenha na determinação do sucesso ou fracasso de políticas regionais. A persistência de indicadores desfavoráveis para regiões pobres contradiz a tese da convergência neoclássica e evidencia as falhas das políticas keynesianas. Diante das limitações teóricas para explicar as causas do desenvolvimento regional desigual, este estudo adiciona o conjunto de instituições formais e informais como variável determinante da (in)eficiência das políticas regionais. Utiliza como referência o atraso econômico experimentado pelo semi-árido baiano para demonstrar que tanto a convergência ao mesmo steady state dos neoclássicos quanto as políticas keynesiansa só têm validade em um ambiente com instituições de melhor qualidade. A inércia institucional reproduziu, ao longo tempo, instituições de qualidade inferior no semi-árido baiano, o que impediu a absorção por esta região dos benefícios das políticas econômicas. O estudo conclui com a necessidade de combinação de políticas regionais do tipo top-down e bottom up, numa síntese exógenas-endógenas, que sejam capazes de implementar mudanças incrementais na matriz institucional, de modo a garantir a acumulação de capital humano e favorecer a mobilidade dos fatores de produção ao mesmo tempo que estimula o crescimento econômico.

 Abstract

This current paper shows the role that institutions quality plays in determining the success or failure of regional policies. The persistence of unfavorable indicators for poor regions contradicts the neoclassical convergence thesis and highlights the shortcomings of Keynesian policies. Given the theoric limitations to explain the causes of uneven regional development, this study adds the set of formal and informal institutions as determining variable of (in)efficiency of regional policies. It uses as reference the economic delay experienced by the semi-arid of Bahia to show that both the convergence to the same steady state of the neoclassic and the Keynesian policies are only valid in an environment with higher quality institutions. The institutional inertia reproduced over time institutions of lower quality in the semi-arid of Bahia which avoided the absorption in this region of the economic policy benefits. The last part of this study regards to the necessity of a combination of the top down and bottom up types of Keynesian policies, in a synthesis endogenous-exogenous, which are capable to implement incremental changes in the institutional matrix, in such a way that can ensure the accumulation of human capital and foster mobility of the production factors, while stimulating economic growth.

Justificativa

A fome reflete um traço dramático da pobreza nordestina desde o tempo da colonização. A exploração econômica baseada na concentração da terra (principal meio de produção no semi-árido) em grandes latifúndios reservava pouco espaço para o plantio de culturas de subsistência, resultando na escassez de alimentos. A busca pela sobrevivência como condição primeira de vida limita as condições para o desenvolvimento de práticas sociais, da educação e das relações econômicas. Isto impede a constituição de instituições de melhor qualidade ao longo do tempo. As crenças, a forte religiosidade e o pouco contato com outras culturas reproduziu, ao longo de gerações, a aceitação desta condição como uma característica própria da região. Como conseqüência, houve pouco estimulo para mudanças incrementais na matriz institucional.  A persistência de indicadores econômicos e sociais desfavoráveis para regiões pobres como o semi-árido baiano contradiz a tese da convergência neoclássica e evidencia as falhas de governo nas políticas regionais adotadas.

A relevância deste trabalho está em chamar a atenção para a urgência de ações que promovam mudanças incrementais na matriz institucional, não só para aumentar a conectividade das regiões pobres com as redes econômicas globais, mas, principalmente, para melhorar a dignidade dos pobres, aviltados pela fome e a miséria.
 

 

Foto Roberto Pauo             Pedintes à beira de rodovia

Foto: Roberto Paulo                 Pedintes à beira de rodovia

 Objetivos:
 
Geral: Analisar o papel que desempenha a qualidade das instituições na explicação do atraso econômico da região semi-árida baiana.

Específicos:

Avaliar o padrão das mudanças institucionais regionalmente localizadas e sua influência no desempenho econômico da região semi-árida baiana.
Identificar as variáveis determinantes da pobreza no semi-árido baiano e sua correlação com a qualidade das instituições locais.
Demonstrar que a persistência de indicadores econômicos e sociais desfavoráveis para regiões pobres como o semi-árido baiano, que contradiz a tese da convergência neoclássica e evidencia as falhas de governo nas políticas regionais adotadas, tem na sua base a matriz institucional da região.
Subsidiariamente contribuir para o debate e apontar alternativas que sejam capazes de, ao mesmo tempo, melhorar a qualidade das instituições e propiciar indicadores econômicos e sociais melhores para a região do semi-árido baiano.
Problema: A qualidade das instituições é uma variável determinante para a (in)eficiência das políticas de superação do atraso econômico e da pobreza no semi-árido baiano?

Hipóteses:

1. A persistência de instituições ruins ao longo do tempo no semi-árido baiano é a principal variável para explicar o atraso econômico da região bem como o fracasso das políticas regionais.
2. A qualidade das instituições de uma determinada região poder facilitar ou dificultar, seja a convergência das regiões ao mesmo steady state (dos modelos neoclássicos de crescimento regional) ou o êxito das políticas regionais (nos modelos intervencionistas).
3. O semi-árido baiano apresenta instituições em geral de baixa qualidade, e isto explica parte das baixas taxas de desenvolvimento econômico e social da região. As instituições atuais ainda refletem características associadas à estrutura produtiva e de governança burocrática do período da colonização. A inércia institucional reproduziu estas condições ao longo do tempo, mantendo esta região isolada e inabilitada para absorver as melhorias nas condições econômicas e sociais experimentadas pela economia brasileira como um todo, restringindo ao invés de estimular a atividade produtiva.

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Responses

  1. Prezados Senhores:

    Solicitamos autorização para reprodução da foto “Pedintes à beira da rodovia” de Roberto Paulo em nosso livro de Sociologia para o primeiro ano do ensino médio das autoras Mônica Markunas e Katsue Hamada e Zenun. O livro está em produção.

    Aguardamos orientações.

    Atenciosamente,

    Clarisse Bruno
    Rede Salesiana de Escolas


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