Publicado por: rpmlopes | outubro 15, 2008

Descrição do Território

Plantação de Palmas

Plantação de Palmas

O Estado da Bahia, apesar de ser o 6º estado mais rico do Brasil, está entre os últimos em indicadores de desenvolvimento social. A Bahia apresenta indicadores sociais inferiores à média nacional: taxa de analfabetismo de 17% e analfabetismo funcional de 37%, mortalidade infantil de 35,6 por mil, índice de pobreza acima de 30% (para várias linhas de pobreza absoluta utilizada), índice de Gini de 0,527 e expectativa de vida de 71,4 anos[1]. No campo econômico, a Bahia é marcada por fortes contrastes. Riqueza espacialmente concentrada na região metropolitana de Salvador e Recôncavo, com 52,8% do PIB estadual e condições menos favoráveis no interior em relação à infra-estrutura, educação, pobreza e desníveis de renda, especialmente na região do semi-árido.

O meio urbano do semi-árido baiano é caracterizado por cidades de pequeno porte onde se concentram alguns serviços públicos e um comércio em expansão voltado exclusivamente para o atendimento da demanda local. A atividade comercial é sustentada pelos gastos dos funcionários públicos e pelas transferências de renda, basicamente de aposentados. O êxodo rural tem levado ao inchaço destas cidades que, dada a incapacidade do poder público local em atender a crescente demanda por serviços públicos, começam a se defrontar com as dificuldades das cidades grandes, como: aumento da violência, prostituição, marginalidade etc.

O Estado da Bahia concentra o maior contingente de pobres do país, sendo, a imensa maioria, oriunda do semi-árido. A pobreza entendida como insuficiência de renda revela um traço marcante desta região que é a alta intensidade da pobreza, sendo a renda média dos pobres do semi-árido mais distante dos valores de referência adotados como linha de pobreza, seja para o Nordeste em geral ou para o Brasil. Como conseqüência direta da pobreza, o semi-árido baiano ostenta uma série de indicadores sociais extremamente desfavoráveis, como: desnutrição, analfabetismo, elevada taxa de mortalidade infantil, péssimas condições de saúde, moradias precárias, baixa expectativa de vida, entre outras.
br.geocities.com     Mapa da Miséria no Brasil

Disponível em: br.geocities.com Mapa da Miséria no Brasil

O semi-árido baiano ocupa a maior parte do território nordestino e quase 2/3 do território baiano. Informações geoambientais, incluindo mapas e cartogramas sobre o semi-árido baiano estão disponíveis no site www.sei.ba.gov.br .

O semi-árido baiano apresenta baixa pluviosidade. Além disto, as chuvas são concntradas em poucos meses do ano, como pode ser verificado na figura abaixo: Apesar da gravidade destes indicadores, as poucas tentativas de mudanças desta situação se deram de forma exógena e não foram capazes de transformar as bases econômicas e sociais da região. Estas tentativas iniciaram com a criação da Inspetoria Federal de Obras Contra as Secas (IFOCS) em 1907, que depois passou a se chamar Departamento Nacional de Obras Contra a Seca (DNOCS). Em 1955, foi criada a Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene). A Sudene se debruçava sobre planos nunca concretizados e distribuía incentivos fiscais entre grupos dominantes locais e nacionais.

Semi-árido brasileiro

Semi-árido brasileiro Disponível em: http://www.ebda.ba.gov.br - Indice pluviométrico - Bahia

Com o fim da Sudene, em 2001, e com a atenção do poder central voltada para os objetivos da política macroeconômica e sob o domínio de idéias e políticas neoliberais, a problemática do semi-árido nordestino foi colocada à margem de ações efetivas. Diante da crise fiscal financeira dos estados brasileiros e no vácuo de políticas regionais em escala federal, emerge a guerra fiscal entre os estados; que produz pouco ou nenhum impacto sobre a estrutura econômica e social existente. Sem medidas vindas do poder central, o êxito das políticas regionais é colocado em xeque. A ação do poder central no semi-árido baiano restringe-se a políticas compensatórias de transferências de renda. Embora políticas compensatórias contribuam para minorar as condições adversas da população, contribuindo para redução da pobreza extrema, elas são assistenciais e voltadas para atender uma condição específica do individuo e não da região.
Roberto Paulo   Casa (tipica do semi-árido) abandonada - êxodo Rural

Foto: Roberto Paulo Casa (típica do semi-árido) abandonada - Êxodo Rural

Cabe destaque a duas das poucas iniciativas de sucesso do governo no semi-árido baiano: o desenvolvimento da agricultura irrigada, com a fruticultura destinada à exportação, desenvolvida ao longo do São Francisco e o complexo agroindustrial de Petrolina e Juazeiro. Estas iniciativas tem atraído investimentos de empresas nacionais e estrangeiras e gerado externalidades a partir das oportunidades de negócios locais.

 

www.codevasf.gov.br - Fruticultura Juazeiro, Ba

Disponível em: http://www.codevasf.gov.br - Fruticultura Juazeiro, Ba Disponível em: petrolina.com - Área produtiva do semi-árido

 

[1] Os dados referem-se ao ano de 2005, disponibilizados pela Superintendência de Estudos Econômicos da Bahia –  SEI.
[2] Territórios de identidade: Irecê, Velho Chico, Chapada Diamantina, Sisal, Sertão do São Francisco, Bacia do Paramirim, Sertão Produtivo, Piemonte do Paraguaçu, Bacia do Jacuípe, Piemonte da Diamantina, Semi-árido Nordeste II, Vitória da Conquista, Médio Rio das Contas, Itaparica, Vale do Jiquiriça e Piemonte Norte do Itapicuru.


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Responses

  1. O artigo esclarece o dilema do semi-arido de forma imparcial e objetiva. uma boa leitua para os amantes da geografia como eu.


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